Caleidoscopio

Caleidoscopio

“Foucault compara o caleidoscópio ao surgimento de novas composições sociais: os vidrinhos são as pessoas e a cada rodada do caleidoscópio novas relações surgem e produzem novas imagens, novos modos de ver!”

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“Há um tempo em que é preciso
abandonar as roupas usadas
Que já tem a forma do nosso corpo
E esquecer os nossos caminhos que
nos levam sempre aos mesmos lugares
É o tempo da travessia
E se não ousarmos fazê-la
Teremos ficado para sempre
À margem de nós mesmos”

Fernando Pessoa

 

Uma querida amiga me mandou este poema quando recebeu a notícia da viagem. Obrigada!

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Chegamos ao fim da viagem pela NZ. Viemos com uma expectativa alta e, inesperadamente, ainda era mais do que imaginávamos! Um país de primeiro mundo, limpo, com pessoas gentis (muito poucas más expericiências), prestativas. Dias de sol, estradas tranquilas, momentos preciosos. Muita beleza!

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Sair da Nova Zelândia, rumo à Índia não é tarefa fácil. A cultura e os valores humanos são radicalmente diferentes do que estamos acostumados e, mais ainda de um país de primeiríssimo mundo como a NZ. Tivemos dias e momentos difíceis, mas curiosos. Desde o modo como nos olham, nos abordam, a relação de espaço nas ruas, metro, lojas, é outra. O respeito em relação ao espaço alheio é outro, tem muita gente, todos se encostam para passar, furam filas, entram na frente, esbarram, empurram, são realmente diferentes. Ou levamos na esportiva em um dia de bom humor, ou nos sentimos invadidos em um dia de cansaço. Assim é a Índia.

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Chegar ao Nepal me deu uma sensação de alívio… o povo é receptivo, comunicativo…
Na verdade, sair da Índia e ir para qualquer outro lugar é sempre uma mudança boa. Caminhar, ver a cidade, as pessoas, voltar a comer bem. Descansa a cabeça… faz bem para o corpo.

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O contato com a cultura do Tibete foi fácil, intenso, positivo. Um povo sofrido mas dócil, aberto a um contato, um sorriso, uma troca. Só coisas boas levamos de lá.

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Passamos pelo Butão e Myanmar e, ainda no começo de uma longa viagem, não posso afirmar mas posso quase apostar que foram as maiores e mais marcantes experiências vividas nestes 10 meses. Povos de sorriso fácil e contato intenso. Dois lugares de uma cultura muito diferente da nossa, mas que não dá vontade de ir embora por nenhum segundo!

Passamos pela Tailândia e agora Indonésia. Os povos destes dois países são bem diferentes. Enquanto o contato com o thai foi sempre bem polite, de certa maneira formal, mas sempre muito bom e positivo, ao chegar na Indonésia já sentimos um povo mais relaxado, um jeito “brasileiro de ser”… que nos pára a qualquer momento na rua, cumprimenta, conversa, só pela simpatia de ser.

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Esta viagem é um grande Caleidoscópio. Mudamos de cultura, cenário, povo, com uma velocidade assustadora. Somos obrigados rapidamente a nos adaptar ao novo, tudo de novo… e não pára… o tempo corre e nós corremos atrás de tentar entender o mundo, de lá pra cá, nessa velocidade alucinante!
E nesta correria por entender tudo, preciso entender quem serei eu quando voltar ao meu cenário, que já não é mais meu.

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Nelson Mandela