A arte (ou loucura?) de Helen Martins (ou Koos Malgas?)

A arte (ou loucura?) de Helen Martins (ou Koos Malgas?)

Ao esculpir uma coruja em frente a sua casa ela conseguiu afastar as crianças que a achavam louca. Aos poucos seu jardim foi se tornando uma grande festa, esculturas imensas de temas variados deram vida a solidão desta mulher.

Na isolada e pequena cidade de chão de terra chamada Nieu-Bethesda, na África do Sul, Helen Martins nasceu e cresceu.  Por muitos era vista como louca, eu que “a conheci” hoje vejo antes de tudo uma enorme necessidade de “falar” sua arte, em uma cidade sem nenhuma expressão ela simplesmente precisava “por pra fora” sua criatividade.

Até hoje é discutida sua sanidade mental. Viveu muito sozinha, cuidou dos pais até a morte. A partir dos anos 50 seu jardim foi ganhando vida. Esculturas de cimento e vidro rodeiam sua casa. De motivos religiosos a corujas e camelos, o lugar tem uma energia forte. O caminhar pelo jardim é mais um “participar” da festa. As paredes internas da casa são forradas de pequenos cacos de vidro, uma azul, outra amarela e muitos espelhos. À noite a casa era iluminada por velas! Os brilhos se multiplicavam e o espetáculo estava montado. Todos os cantos da casa dizem algo, a arte está latente, a necessidade de se expressar é visível.

Então por que louca? Por que a pacata cidade nunca viu ninguém assim? Por que se casou duas vezes e se divorciou as duas? Por que fez aborto duas vezes? Por que era um tanto estranha e um quanto depressiva? Ou porque teve artrite, perdendo assim os movimentos das mãos, aos poucos começou também a perder a visão, e sabendo que não poderia mais fazer sua arte, decidiu aos 78 anos encerrar sua vida e se suicidou?

Após sua morte questões sobre seu trabalho foram aparecendo. Alguns perguntam se ela é considerada uma artista. A resposta me parece óbvia. Outros questionam o autor da arte, uma vez que ela criava e as mãos de Koos Malgas executavam. Uma questão delicada que alguns artistas encaram com facilidade, outros com questionamento.

Não há dados suficientes para sabermos se a criação era 100% mesmo de Helen, mas a resposta é quase certa que sim. Segundo um artista local com quem conversei, Kool Malgas esculpiu maravilhosamente um camelo sem nunca ter visto um, o fez apenas a partir do desenho e direcionamento de Helen. Este artista nos deu a entender que o grande mérito é de Kool, mas ele nunca teria feito uma escultura sequer se Helen não as tivesse criado. Não foi autor de nenhuma escultura, fazia apenas réplicas das de Helen. O mérito de artista é discutido na pequena cidade. Talvez os dois devessem receber o crédito como uma dupla. Porém isso já não ocorreu e sendo assim, como uma artista, mais uma vez a resposta por mim está dada. Mas a dúvida segue no ar.

  1. gente, que coisa mais linda!
    adorei a arte (não há dúvidas de que é arte…), amei as fotos, a vibe.
    Só uma coisa: eu nao iria aí a noite… que meda!!!
    bjus saudosos

  2. Que história impressionante!  Deu vontade de conhecer o trabalho dela! As fotos estão lindas e a Rô tá uma gata! Magrinha com cabelo comprido!! Show!!!
    Um beijo e muitas saudades!

    1. oi rubão!
      impressionante, não? pesquisa que vc vai achar mais sobre ela, o trabalho dela é lindo mesmo!
      obrigada pelos elogios!!!!
      saudades!

  3. Nossa! Arte pura, talvez de uma alma atormentada  e sofrida.Ela devia ter no coração um vulcão que acabou explodindo. Flávia  esteve aqui no domingo e ficou louca com suas fotos. Beijos

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