Las Vegas do Oriente

Las Vegas do Oriente

Cercamos a china! tibet, hong kong e por último macau. não por falta de coragem para encarar mais de 1,3 bilhão de chineses, mas pelo tempo limitado que uma viagem de 10 meses proporciona. cercamos pelos flancos, plantamos espiões locais e o ataque virá no futuro, não tão próximo. não temos pressa.

macau foi incluída no roteiro na última hora pois despertou a curiosidade por dois motivos. primeiro por ser antiga colônia portuguesa. fomos desaconselhados por amigos a “gastar” solado em angola e estamos com certa dificuldade para encaixar moçambique na áfrica. o segundo motivo é por não termos incluído os estados unidos e, consequentemente, las vegas no roteiro. optamos pela las vegas oriental para conhecer de perto um verdadeiro complexo de diversões para adultos.

o centro histórico revela a herança deixada pelos portugueses. igrejas, casas coloniais antigas, praças perdidas no meio de ruas tortuosas. um lugar em que os nomes das ruas estão (ainda) em português, mas ninguém sabe falar uma palavra na bendita. um lugar que respira o jogo. tudo é aposta! praças lotadas com xadrez chinês, valendo dinheiro. corrida de cachorros, valendo dinheiro. curioso sair de hong kong, chegar em macau e mais uma vez perceber a diferença entre o estilo inglês e português de colonização. enquanto a primeira se posiciona como principal centro financeiro e capitalista da ásia, a segunda se oferece como válvula de escape para a adrenalina e ansiedade de chineses endinheirados. fica a percepção de um lugar errático, perdido na informalidade geral das apostas e desrespeito ao dinheiro.

me lembrei da época em que trabalhava na tesouraria de um banco, em que tudo valia … dinheiro. ou melhor ticket refeição. quanto vai fechar o dólar no final do dia? a bolsa? e no final do ano? quem ganha o jogo de futebol? quantos gols serão marcados na rodada do brasileirão? vai chover? em quanto tempo vai chover? quantas medalhas de ouro o brasil vai ganhar nas próximas olimpíadas? macau recorda tudo isso de forma potencializada. a quantidade de chineses apostando é assombrosa! sic bo, fan tan, baccarat chinês, jogos que nunca tinha escutado falar. ficava alguns minutos tentando entender o jogo e a reação dos jogadores. qualquer buraco ou espaço, lá tinha alguém de sorriso amarelo colocando sua esperança em fichas.

visitamos 3 cassinos dos mais de 20 que cercam a pequena península. pretensiosos mega complexos com restaurantes, mesas de jogos e hotéis acoplados. macau se revelou de um gosto muito discutível. como sabemos que gosto não se discute, a sensação de entrar num cassino e contemplar mais de 3.000 pessoas mexendo suas fichas requer alguns minutos de silêncio para entender a intensidade da energia local.

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