Índia – parte 2

Índia – parte 2

Numa Índia cheia de tradições como o sistemas de castas, adoração à ídolos e riuais, ao chegar em Amritsar encontramos uma índia um pouco diferente: homens com turbantes, cabelos longos, espadim e pulseira prateada são três do cinco símbolos que definem um ”Sique”. Os outros dois símbolos tradicionais, roupa de baixo e pente, não conferimos.

O siquismo é uma fé reformista, prega um mundo igualitário e com um único, Deus, que vai contra tudo o que vimos até agora sobre fé na Índia. Forte grupo religioso, estima-se que hoje existam mais de 25 milhões de siques no mundo, sendo que 90% deles habitam o noroeste da Índia (alguns indianos brincam que os siques são como batatas … você pode encontrar em qualquer lugar). Mas de fato,  a maioria dos imigrantes – hábeis comerciantes – estão nos EUA, Canadá e Reino Unido construindo riquezas. Atualmente são vistos com respeito pela maioria da população,  apesar da breve perseguição que sofreram por movimentos separatistas que culminaram com o assassinato da “querida” Indira Gandhi por um extremista sique.

Viemos à Amritsar especialmente para conhecer o Templo de Ouro, templo mais importante dos siques, que deu nome a cidade (“tanque de néctar”). Ao entrarmos nos arredores do templo, a cena já é impressionante. Uma quantidade enorme de pessoas deixam seus sapatos com os guardadores, algo que encontramos em todos os templos com a diferença que neste quem trabalha tanto para guardar os sapatos, quanto para servir comidas aos visitantes (10 mil pessoas são alimentadas por dia), como para varrer o templo ao fim do dia, são voluntários. O que significa que na volta encontramos nossos sapatos limpos!!!!

Na entrada do templo, é preciso cobrir a cabeça e molhar os pés em um tanque de água para limpá-los… ou…. sujá-los para nós, ocidentais. Não preciso dizer que dei um jeitinho de molhar os pés na fonte de onde saia a água limpa…. já que o tanque estava marrom. Tive calafrios! Para quem não sabe, não sou muito fã de andar descalça, principalmente onde todos andam, então vocês podem imaginar como está sendo entrar nos templos para mim.

Voltando… as pessoas passavam pelo tanque, molhavam seus pés, com as mãos molhavam a testa e… se não estou alucinando, alguns bebiam a água!!!

Ao entrar no templo, descemos umas escadas que nos levaram a uma passarela de mármore a céu aberto que circunda um lago enorme, chamado “tanque de néctar” onde desde muitos anos as pessoas vão banhar-se pois acreditam que o tanque cure doenças. Em um dos quatro lados do tanque, uma passarela nos leva ao templo de ouro, que fica bem no meio deste lago.

As cenas de fé são realmente impressionantes. Todos descem as escadas, ao tocarem os pés no mármore ajoelham, encostam a cabeça no chão e rezam. Por todos os lados as pessoas tiram suas roupas, rezam, entram no lago, rezam, brincam, rezam, se purificam, rezam. Se sente a força da fé.

A fila na passarela que leva ao templo é de milhões de pessoas. Um sol de rachar e todos os devotos à espera da entrada no templo, sem “arredar pé”.

Algo diferente do que vimos aqui até agora, forte e bonito de ver, não fosse a aflição que continuo sentindo dos meus pés no chão. Não sei ao certo o tamanho desta aflição, uma vez que uma volta no templo não me satisfez, fiz um segundo round para ver mais e tirar fotos. Bom sinal! A Índia começa a me trazer coisas boas… ou eu estou me acostumando… um pouquinho?

  1. Oi crianças, lendo a India parte 2, cheguei a conclusão que só irei através de suas lindas fotos. Molhar meu pézinho em águas marrons, “never”. Continuo sem saber muito  mandar comentários. Não sei se você recebe, mas, continuo viajando com vocês. Beijocas Lucia

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