As vacas de Opash

As vacas de Opash

Coincidências da vida. No avião indo da Nova Zelândia para Índia, sentamos ao lado de um alemã, muito simpática, que por acaso havia estado na Índia há um ano atrás. Agora pegava um avião de volta para a Alemanha, com escala em Cingapura, enquanto nós pegamos o avião de ida a Índia, com a mesma escala. Lá estávamos nós, conversando sobre a Índia, por um mero acaso do destino.

A única coisa que nos faltava para organizarmos melhor nossa viagem, era contratar um motorista para viajarmos pela Índia. A ideia era chegar em Delhi e nos informar no hotel como poderíamos encontrar alguém, no risco. Foi então que ela nos perguntou como faríamos para ir de uma cidade à outra e, se já tínhamos um motorista. Animados respondemos que era o que nos faltava se ela tinha alguém para nos indicar. Imediatamente ela nos passou o site e o nome do motorista. Muito bom para ser verdade…

Chegamos em Delhi, acessamos o site, mandamos um e-mail. Nenhuma reposta. Como disse, era muito bom para ser verdade!!! Telefonamos, ele finalmente atendeu! Marcamos um encontro no hotel para o mesmo dia, ele veio conversamos, ele estava livre, fechamos acordo. Sairíamos no dia seguinte rumo à Jaipur – The Pink City. A cidade foi pintada de rosa, a cor da hospitalidade segundo a tradição local, em 1876, para receber a visita do príncipe de gales. Desde então, a cidade tenta manter sua cor, hoje bem desgastada, quase marrom.

O nome dele é Narender, soa quase como “surrender”, vai ver só pra mim que tanto tenho pensado nesta palavra na Índia! Mas gostei do que poderia significar ele nos tirar dali.

Jaipur é um pouco mais tranqüila que Delhi. Bem pouco. O ar seco, a poluição visível, a miséria continuam. Os monumentos impressionam. Gigantes no tamanho e história, mínimos em detalhes.

Fomos ao Amber Fort, o forte da cidade (os fortes estão para a Índia, assim como as igrejas estão para Minas Gerais). Há duas maneiras de subir ao forte: no lombo de um elefante ou de carro. obviamente fomos de carro depois do meu único e traumático passeio de elefante no Camboja, quando subimos uma montanha para chegar a um templo e eu não conseguia aproveitar nada do caminho só pensando se o elefante estava cansado, como era a rotina dele, como será que o tratavam, porque o faziam trabalhar… na emenda dessa decisão nosso motorista, o que para mim foi uma das coisas mais inteligentes que ouvi sobre a Índia até agora, nos contou que ano passado um elefante matou um homem, pois segundo ele mesmo disse, deve ter cansado de ser tratado dessa maneira. Desculpem meu humor negro!

Logo após fomos ao City Palace Museum, onde há um pátio com 4 portas e, cada uma delas significa uma estação do ano… os detalhes são impressionantes, não sei se será possível ver nestas fotos. Alí foram gravados alguns filmes de Bollywood.

E por fim, Jantar Mantar, um observatório criado por um astrônomo indiano, composto por 16 esculturas enormes. Algumas delas hoje em dia ainda são usadas para prever o nível de calor no meses de verão, a data possível da chegada, a duração e a intensidade das monções e a possibilidade de inundações e de escassez de comida. Outras 12 esculturas representam os signos do zodíaco, é um instrumento usado por astrólogos para criar horóscopos, é o único existente deste tipo. Muito interessante mesmo!

Um dia agitado, com coisas novas, uma perspectiva de uma viagem que nos traga coisas mais agradáveis que Delhi. Mas algo perturba, pois continua. O descaso, o tentar tirar vantagem, os animais. Muito mais do que em Delhi.

O que é tudo isso? Como funciona? Quem nos dirá? Um assunto delicado, nada que se possa perguntar a alguém, então fica a impressão do que é visto. Perguntamos ao nosso motorista sobre o animal sagrado para a Índia, a vaca, ele nos responde meio sem querer seguir o assunto. Se são sagradas, porque estão nas ruas, magras, sem cuidado? De quem são?

Aqui elas são magras, sujas e comem lixo. Quem dera fossem lindas, limpas e gordinhas como as vacas de “Opash”, que a Rede Globo nos mostrou na novela “Caminho das Índias”.

Quem tem um animal em casa sabe como eles precisam de companhia. Durante o dia, tudo parece mais fácil. Escurece em Jaipur… já é noite. Tento resistir, mas choro.

  1. Querida Ro. Para acompanhar sua viagem, tenho que correr com o tempo. Sou muito ruim com o computador. Escrevi uma mensagem e ela se apagou não sei como. Sobre sua India Ville, seria mais facil pensar em Brasil Ville, naturalmente em menores proporções, Uma ideia boa para politicos que poderiam transformar um sonho em realidade. Na India por ser um país mais antigo e com mais tradição, esse sonho é quase impossivel. Imprecionante são as construções lindas com detalhes tão delicados. Suas fotos ficaram maravilhosas. Dia 16 de abril, viajarei com toda a familia aproveitando uma semana com 2 feriados, mas antes disso ficarei como fantasma no seu pé. Achei a idéia do carro perfeita pois elefante nem pensar. Beijocas

  2. Oi Ro e Guto,
     
    Sei um pouco do que esta falando e sentindo…uma sensação de impotência e revolta!!!
    As vezes a melhor coisa a fazer para continuar é usar a sua lente como barreira.
    Really sad World!!!!!!!!!!!!

  3. Rô e Guto,
    Estive lendo as postagens com muita atenção durante o dia de hoje. Incrível a avalanche de sensações que fatos e fotos estão me proporcionando. Durante a leitura, também me recordei das poucas e boas conversas que tivemos durante a preparação desta aventura. Foi então que recordei-me do mote “Desapego”.
    Desde a energia transmitida pelo “Haka” na NZL até a decepção com as condições das vaquinhas e elefantes, acredito que o “Desapego” também terá que ser “Abstração”. Difícil tentar entender e, mais ainda, tentar arrumar. Como mencionado por um dos amigos: “really sad world”.
    Continuem “quebrando tudo”!
    Abraços,
    Praxa

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

+ 52 = 53